ano 2000 o mundo não acabou
HELLO WORLD
HELLO MOTORS
HELLO NOIERS
nos anos 2000 era esperado que o mundo acabasse. se falava do caos, das profecias apocalípticas, dos computadores, das tecnologias parando e colapsando a sociedade… e, foi o ano dos calotes e dívidas fiscais…
pois bem: nesse mesmo ano 2000 o mundo não acabou.
e aí ele (o mundo / meu mundo) se fudeu, porque eu virei a porra de uma jiraiya.
em 2000 ganhei um pc caixotão, já com windows 98. eu macetava jogando the sims, counter strike e baixava mil coisas no antigo kazaa (para os mais novos: o msm que emule, utorrent, soulseek). o problema de download por torrent [p2p] é que o nome do arquivo diz yyy, mas o conteúdo é xxxp0rn / vírus ouuuu os dois juntos, no msm clique.
por conta disso (downloads infinitos e games por dois dias seguidos) o pc vivia quebrado. travando. dando pau. ia pra assistência, ficava semanas fora. até o dia em que eu entendi que esperar não era uma opção. aprendi a formatar sozinha. virava a noite. ficava 24 horas tentando resolver. ou até minha mãe acordar e perceber que eu tinha virado a madrugada com meus recém 12 anos feitos.
o caos traz soluções né?!
meu técnico perdeu uma cliente, e eu ganhei umas das skills que eu mais gosto hoje: formatar o pczinho bb, ser nerd, bem nerdola / eu amo <3
bom, no msm fatídico ano, eu perdi o bv.
meu deus. eu quase morri do coração. lembro bem.
mas deu boa dps.
fui de beijoca em beijoca… medos em medos… e depois… dedos… rs
vcs tbm quase morreram ao beijar a primeira vez de vdd?!
bom, na ordem dos fatos o beijo veio no decorrer do ano 00. pra iniciar janeiro eu tive um back: meu pai morreu logo que virou o ano. hoje, olhando pra trás, relembrando o caos, faz todo sentido o surto que eu virei. isso mesmo. eu não tive um surto — eu virei um surto de janeiro e além.
agora pensem eu, com 12 anos, pré-adolescente, com tab1 (transtorno afetivo bipolar) sem diagnóstico. só acelero, agitação, energia… com meu mundo alterando completamente do dia pra noite… hoje eu reconheço que aquela deve ter sido minha primeira virada maníaca. nem mania, nem hipomania. daqui até o além.
então vamos recapitular:
pc, windows 98, virei nerd e virei noites
baixava putaria escondida em filme da disney com vírus de brinde
aprendi a formatar pc
perdi o bv
meu pai morreu
beijei mais e mais
colapsei. maníaca fiquei
e continuamos em 2000.
ou quer dizer, só começamos.
(senta que lá vem)
em 2000 eu tinha recém feito 12 anos e estava na sétima série. tenho poucas memórias da escola, mas lembro muito desse ano, dessa idade — só as melhores/piores lembranças rs.
lembro da professora de artes salete (já volto nela), da priscila loira sebosa, da morena briguenta da escola, da fran — que por sorte era minha amiga —, da priscila ruiva (hoje eu sei: meu primeiro crush real), do dudu (fizeram tanta firula pra eu beijar esse pia que quando fiquei pensei: meh).
lembro de um porre escondido de vinho sete colinas, matando aula com a galera legal. eu era protegida: baixinha, titinha, mas a jiraiya. eu armava confusões, inventava situações, puxava caos pra fora — tudo pra expelir o que eu ainda não conseguia sentir, entender ou nomear.
saí na capa do jornal fazendo manifestação com professores. minha mãe achando que eu estava em aula, pacífica, recebe o jornal no outro dia e lá estava eu: na capa, segurando faixa no front.
eu tinha crises de riso involuntário. riso paradoxal. [[ai ó, os vestígios claros da neuro divergência vibrando]]ria quando não devia. alguém fazia gracinha, o professor ficava puto, eu ria. todo mundo ria, mas eu não parava. ria de nervoso, ria de chorar. resultado clássico:
“fabíula, pra fora da sala.”
fora da sala, eu virava amiga dos alunos do ensino médio. virei best. beijava no corredor...
do nada a coordenadora passava: “fabíula, o que você faz fora da sala?”
“o professor mandou.”
e, claro, ia parar na diretoria.
aí eu escapava e voltava pros beijos. eu era muito talarica, sos
e para o terror geral (dos professores) é que eu ia bem nas matérias. isso me dava tempo de sobra pra investir energia onde realmente importava: acabar com a paz alheia e deixar o surto maníaco cumprir seu papel com excelência absoluta kkkkkkk.
então, de confusão em confusão, volto agora pra falar da tal professora SA-LE-TE, a profe de artes. nunca mais esquecerei dessa querida.
(pausa necessária: fui dar um google agora e achei o facebook dela. igual. mesma cara. jesus, socorro.)
sinto um misto de hahahaha, ranço e um leve “bah, coitada”… eu surtei.
e agora sim: a professora de artes, a salete.
aula de artes era pra ser meu rolê preferido. eu desenhava desde muito nova. amava cartoons, personagens de gibi, grafite, coisas grandes: parede do quarto, muro da casa. hiperfoco total.
mas — entretanto, todavia — apesar de eu amar artes, a prof não gostava de mim, rs.
eu entregava os exercícios, fazia mais do que ela pedia, todo mundo elogiava… nota 6 ou 7. perseguição clara. eu não era avaliada pelo desenho, mas por falar demais, existir demais, ocupar demais.
e isso me emputeceu.
eu, fabíulinha, 12 anos, criança escorpiana, me vinguei.
professora salete levou de brinde meu caos:
superbonder na cadeira
bomba de peido de velha na sala
pó de giz no ventilador, ligava e nevava giz
rojão no banheiro no recreio
parafuso solto, hélice voando, vídeo, lâmpada, janela quebrada
levei filhote de gato pra sala
aula de artes? cancelada.
eu era encobertada todas as vezes. pequena, mais nova que todo mundo, protegida pela galera do fundão. só loqueação msm.
mas chegou o fim do ano escolar eeee: passei plena (menos em artes, quase engatei).
até que minha mãe é chamada na escola e ouve:
“fabíula está convidada a se retirar da escola.”
uma gentil expulsão.
um convite pra vazar por livre e espontânea vontade.
RECAPITULANDO 2000 (sim, tudo isso foi em 2000)
pc. win 98.
noites viradas.
downloads do terror.
formatar computador.
perder o bv.
perder meu pai.
surto.
porre.
fundão.
proteção.
vingança da prof salete.
fora da sala.
beijos no ensino médio.
diretoria.
ufa, passei.
opa.
convite especial pra se retirar da escola.
tudo real.
e a porra do ano 2000 não teve fim.
pra gastar energia, fui enfiada em atividades extracurriculares. com 12 anos comecei aulas oficiais de bateria. durou três meses. o ritmo do professor era parado demais. óbvio, larguei.
e aí crente virei. tinha uma igreja na rua. virei evangélica pra tocar bateria. tocava em culto, reunião, qualquer coisa. eu era louvor de dia, led zeppelin de noite, louvor de tarde, nirvana no colégio. rock, progressivo… e o senhor é meu pastor.
noizzed veio daí: crente + rocker + clubber (e agora gay).
e como último suspiro do ano 2000, e pra fechar meu primeiro post nesse blog/diário/lab, comecei um cursinho de javascript.
aprendi a tal linguagem que é basicamente a alma da internet. código que faz a web ter vida, movimento e caos. tudo a ver comigo.
e a primeira lição? o ritual sagrado:
HELLO WORLD.
“olá, mundo” é o teste de som da programação. o grito de nascimento. se o computador respondeu isso, tamo vivo.
milhões de anos depois, sem o mundo acabar, aqui estou eu escrevendo meu primeiro hello world da vida. deu até brilho de bom dia.
HELLO WORLD
HELLO WORLD!
em breve, mais textos noncencis. histórias que ninguém vai ler. memórias que eu vou amar. dicas que tanto faz.
a questão é:
meu mundo.
minhas regras.
e eu vou hablar.
HELLO WORLD

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